Meu filho grita demais, o que fazer?

Gritos nos deixam irritados, envergonhados e até sem saber como agir, afinal gritar de volta acaba sendo um reforço de que tal comportamento é adequado e até aceitável.

O exemplo dos adultos é fundamental pois as crianças aprendem mais com exemplos do que com palavras. É preciso entender que existem diferentes tipos de gritos e eu vou te ajudar a lidar e identificar cada um deles:  

Grito da birra.  

O primeiro passo é deixar as regras claras e cumpri-las. Se você combinou que a criança só volta a brincar quando parar de gritar, assim deve ser. Se disse que ficará sem o brinquedo se ela continuar gritando, tire o brinquedo caso ela não pare. Cumpra sua palavra para que ela saiba que pode confiar em você.

Quando o grito da birra acontece, mantenha-se firme, afinal ao ceder a criança entende que é um comportamento premiado e sempre que repeti-lo vai ganhar o que quer. Fale, sem gritar e de forma firme, que assim que ela se acalmar vocês vão conversar.

Para ajudar seu filho a se acalmar você pode tirá-lo do ambiente em que ele está, você também pode oferecer um abraço, afinal ele pode precisar de um aconchego para se acalmar, mas nada de agarrar seu filho berrando, dê espaço para ele.

Grito comportamental:

Pode aparecer quando seu filho está imitando um personagem que fala gritando. Se a criança tiver acima de 4 anos, vale levar algumas questões como: o que você acha da forma que ele fala? Você acha que o vovô ia gostar se alguém falasse assim com ele? E você, gostaria que um amigo falasse assim com você?

Estes questionamentos irão ajudá-lo a entender que nem tudo que ele assiste é legal reproduzir.  

E se o que ele assiste não é adequado ou não condiz com os seus valores, talvez a melhor atitude seja não permitir mais que assista. O grito comportamental também se estende para outros ambientes que a criança frequenta, como escola, clube, aulas extras.

Conversar com os coordenadores te ajudará a entender o que está acontecendo e como os profissionais estão lidando com a situação.

É essencial olharmos para nosso próprio comportamento. Como você fala com seu filho? Não tem como negar que quando gritamos eles tendem a parar o que estavam fazendo. Parece até que o grito foi eficiente, mas na verdade a criança não parou porque percebeu que estava agindo errado e sim, porque ficou assustada.

É difícil mudarmos nossos hábitos, muitas vezes, estamos apenas reproduzindo como foi feito conosco. Mudar não é fácil, mas é possível. E por nossos filhos a gente faz até o impossível.

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Há também os gritos bacanas e até importantes para o aprendizado da criança:

  • Grito da descoberta, da curiosidade: aquele em que eles descobrem o eco da própria voz!
  • Grito do encontro: com os amigos, os primos, os tios, é um grito de alegria! Com a nossa ajuda eles aprendem que toda essa euforia não precisa acontecer com um volume tão alto.
  • Grito das discussões. Seja pela disputa de um brinquedo, num jogo, ou para reclamar que o irmão tomou o brinquedo. Com o amadurecimento esses gritos evoluem para argumentos e conversas.  

Avaliação auditiva da criança

A importância de identificar os tipos de gritos existe, também, por causa dos gritos das crianças que podem ter problemas auditivos. Como elas só ouvem quando as palavras são pronunciadas em um tom mais alto, é natural que elas reproduzam esse jeito mais alto de falar.

Uma avaliação auditiva na criança pode identificar se esta é a causa dos gritos.